2 RETRATOS DA NOSSA VIDA "Recomeçar a vida, buscar novos valores, superar e buscar um novo sentido para viver". Essa frase talvez não seja a primeira a ser pensada por alguém que sofre um trauma físico. E também não foi a do velejador, Lars Schmidt Grael. ?Em 1998, quando me aquecia para uma<br>regata de vela, em Vitória (ES), uma lancha, em alta veloci dade, entrou no percurso, atropelou o meu veleiro e, infelizmente, tive minha perna direita acidentada pela hélice da lancha", conta Grael. Segundo ele, foram momentos de agonia, desespero e luta pela vida. Grael ficou dois meses <br>internado, fez dez cirurgias e teve que se adaptar à deficiência física, já que teve de amputar a perna. ?Não foi fácil suportar dores, o auto-preconceito e as dúvidas de como seria minha relação conjugal e familiar. Mas, além do apoio da família recebi centenas de mensa gens de todo o Brasil,<br>por telefone, fax, e-mail, telegramas e cartas. Mensagens de fé, carinho e de apoio. Tudo isso gerou uma energia que, ou eu usava ao meu favor, para recomeçar a vida, ou usava para justificar o meu infortúnio e sofrimento", conta. Grael superou uma primeira fase de internação e cirurgias, mas<br>em segui da, teve de lidar com as dificuldades de aceitação e de voltar velejar. "Foi difícil, meus amigos, meu irmão Torben Schmidt Grael, minha esposa Renata me incentivaram a reiniciar meu traba lho. Achei que nunca mais voltaria a velejar, mas, ao mesmo tempo, era o reencontro com a minha<br>paixão". Conhecido pelas medalhas conquista das em Olimpíadas e em outras compe tições, pelo seu fabuloso trabalho, noto riedade e por ser formador de opinião, Grael sabia da sua responsabilidade em ter uma reação positiva diante daquela situação. Nesse período conheceu pessoas formidáveis que<br>também eram deficientes físicas e que lhe transmitiram exemplos de superação, mostrando que alcançar a felicidade mesmo com uma deficiência física é possível sim. "Sei que quem passa por uma situação como essa, principalmente crianças, não tem maturidade para entender o motivo. Mas,<br>encontrar entidades como a AACD, disposta a dar carinho, conheci mento médico, reabilitação, perspectiva de vida com exemplos positivos é muito válido". Isso fez com que Grael deixasse de ser uma pessoa extremamente competitiva, focada apenas na sua atividade e se tornasse uma pessoa <br>diferente, com a capacidade de enxer gar o hoje, de ser feliz e viver intensa mente. "Eu perdi uma perna, mas ganhei valores. Me fez pensar na natureza, nas relações humanas e nas amizades e hoje sou plenamente feliz?, diz. Hoje Grael já voltou a velejar e a parti cipar de campeonatos e<br>paralelamente às competições, defende uma causa: o Projeto Grael. Com o objetivo de realizar inclusão social, cursos técnicos profissionalizantes e educação ambien tal, o Projeto nasceu após as Olimpía das de Atlanta. Com a conquista das medalhas, ele, seu irmão e Marcelo Ferreira se<br>comprometeram a democra tizar o conhecimento sobre náutica. "Conseguimos materializar esse projeto em julho de 1998 e, nesses onze anos, cerca de 7.500 jovens já passaram por lá. Percebemos hoje que esses adoles centes se capacitam para atuar no meio náutico, seja na pesca, no turismo, no <br>esporte, na recreação e lazer", conta. Por tudo isso e por sua experiência é que agora Grael pode oferecer, também, seu testemunho de vitória e ajudar a tantas pessoas assim como o apoiaram naquele momento complica do. "Nunca desistir de viver. Ter fé na vida, crença e lutar sempre. Apoios <br>como o da AACD podem oferecer opor tunidades de superação nos momentos de tristeza, desânimo e de sofrimento. Todo o esforço é recompensado. Viver vale a pena e a felicidade é um estado de espírito que deve ser alcançado. Acredito que a AACD cumpre seu papel em gerar conforto, reabilitação e<br>dar qualidade de vida para que todos os seus pacientes possam ter a capacidade de sonhar e lutar pelos seus sonhos que, com paixão, a possibilidade de materializá-los é muito grande?, conclui. Lars Schmidt Grael Lars Schmidt Grael velejando.
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