2 - 31 de julho e 1° de agosto de 2010 OPINIÃO Uma lei como esta é até perigo sa, pois ao inverter valores, pode, aos poucos, ir preparando uma nova espécie de totalitarismo, sem que as pessoas percebam que o Estado se agiganta em Le viatã, como previu Hobbes. Edu car mesmo passa por promover<br>
valores, e cabe aos pais a prima zia de educar os filhos, e não ao Estado. Tutela esta que não pode ser sufocada pelo Estado, mas exatamente o contrário, deve ser garantida pelo poder público. Pois o Estado surgiu justamente para proteger a família, promovê-la, garantir seus direitos e dar-lhe o<br>
amparo social que ela precisa para se afirmar como instituição rele vante. Daí que esta lei realmente contraria a lei natural, e tem tudo para não valer, na prática cotidia na. E não me venham com des culpa esfarrapada de que a vio lência não pode ser tolerada. Se o for, o Código Penal já prevê as<br>
devidas punições. Mas... palma das, que doem inclusive mais em quem as dá, nunca violentou alguém...Apenas relembrou a quem as recebeu de que nesta vida existem limites e nelas imen so amor paterno e materno. *Doutor em Sociologia A lei da palmada não vai pegarImprudência no trânsito Neusimar Colpo<br>
de Moraes e Elisio Facco* Vivemos dias em que a pressa toma conta das pessoas, deixan do de lado os cuidados com a pró pria vida, a segurança, as pesso as, o respeito, enfim, uma verda deira corrida desenfreada em bus ca do tempo que não para de pas sar. Um dos melhores exemplos desse verdadeiro<br>
desequilíbrio é o trânsito. Seja nas cidades, seja nas rodovias, estamos vivendo um verdadeiro clima de hostilida de, em que as pessoas não têm li mites, onde a individualidade e o egoísmo acabam por dominar suas mentes e fazem com que se arris quem e coloquem a vida dos seus semelhantes em perigo.<br>
Bebidas, u l t r apas sagens forçadas, veloci dade e desrespei to generalizado às regras de trânsito formam uma combinação fatal que todos os dias tiram a vida de pessoas, des troem sonhos, famílias e causam um verdadeiro impacto social. Não é o bastante para criar uma cons ciência de educação para<br>
o trânsi to. Pensamos que acidentes não vão acontecer conosco, que são coisas distantes e esporádicas, quando na verdade estão bem ao nosso lado e somos responsáveis diretos pelo que acontece. Aumen to de fiscalização, leis mais rígidas, sanções efetivas podem ajudar a amenizar o problema, mas o<br>
cami Redação: Fone/fax: 3411-5000/2102-9860 Deptº Comercial Fone: (55) 3411-5000 E-mail: comercial.df@ibest.com.br Sucursal em Porto Alegre: Grupo de Diários Rua Garibaldi, nº: 659, Conj. 102 Fone: (51) 3272-9595 Colaboradores Brasil Carús, Cláudio Santa Catarina, Dom Aloísio Alberto Dilli, Haroldo<br>
de Souza, Jacinto Júnior, José Vicente da Maia, Linomar Benites, Luciano Pires, Manuel Jesus, Mário Hamilton Villela, Oswaldo Freire e Raul Moreau. www.diariodafronteira.com.br Impressão: Gráfica Conesul - Fone (55) 3411-5000 E-mail: graficaconesul@ibest.com.br Rua Dr. Maia, nº 2624 - Centro - CEP<br>
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P E D I E N T E Filiado Valmor Bolan* O fato é que a chamada lei da palmada não vai pegar. Mais uma vez o governo se mete num assunto que não é da sua com petência, entrando muito ousa damente na esfera familiar. O problema é que uma lei como esta, que pune os pais por dar palmadas em seus filhos,<br>
inter fere numa área que não é incum bência do Estado. Este tema, ali ás, já foi objeto de reflexão na Antigüidade, abordado na tragé dia Antígona e Creonte, de Sófo cles. É, portanto, uma questão antiga. O conflito entre família e Estado, especialmente quando o poder público, que deveria ser<br>
promotor da vida e da família, se volta contra o direito natural, e quer legislar aonde não deve. É o caso da atual lei da palmada, recentemente sancionada pelo Governo Lula. Totalmente dema gógica, pode criar um conflito de conseqüências imprevisíveis en tre filhos e pais, colocando os fi lhos<br>
contra os pais, principalmen te quando os pais estiverem com a razão de recorrer a corretivos que se fazem necessários, quan do falha ficar só na conversa. É uma lei que incute, ainda muito cedo, o anti-valor da impunida de, isto quer dizer, os filhos sa bem que poderão abusar da tole rância dos<br>
pais, alguns até fazen do-os de reféns de caprichos, ameaçando-os de levar ao Judi ciário, caso ousem dar-lhes uma palmada. Isto é retirar dos pais uma autoridade natural, e até um dever, de repreender e corrigir quando preciso, pois é bíblica a sabedoria dos pais que educam os filhos, colocando<br>
limites, quando as situações exigirem. Pesquisas de opinião indicaram que a maioria do povo brasileiro é contra a referida lei, daí que será mais uma lei que não vai pegar em nosso País, pois a população, ainda mais brasileira, não levará a sério uma demagogia destas. nho para a solução é cultural.<br>
De vemos investir em educação, cons cientização e respeito com os se melhantes. Somos hipócritas ao querermos leis só para os outros, mas não para nós, quando a lei vem nos censurar, pensamos que não precisa ser assim, pode-se dar um jeitinho, mas, se for para os ou tros, queremos que ela seja o<br>
mais ferrenha possível, afinal de con tas, os outros são os outros. É hora de tomarmos consciência de que fazemos parte deste contexto e que somos responsáveis por tudo que nos circunda, e que cada um de nós tem uma par cela de culpa no que está aconte cendo, pois, a qualquer momen to, nós mesmos ou<br>
um ente queri do podem ser a próxima vítima. Até quando va mos nos omitir e deixar que a situ ação que já é caótica piore ainda mais? A parte que cabe a cada um de nós é bem pequena, porém o somatório desse esforço pode fa zer uma grande diferença não só em nossas vidas, mas na vida das pessoas que<br>
nos são caras. E pen sando em uma visão macro, nós podemos alterar todo um compor tamento social que, por enquanto, é egoísta e despreocupado, situa ção que só muda quando aconte ce pertinho de nós e, muitas ve zes, pode ser fatal. *Estudantes de Direito da Fapas Até quando vamos nos omitir e deixar<br>
que a situação que já é caótica piore ainda mais? Dirceu Cardoso Gonçalves* O relatório divulgado, na úl tima sexta-feira, pela ONU (Or ganização das Nações Unidas), diz que o Brasil é o sétimo pais do mundo onde ocorre maior de sigualdade entre ricos e pobres. É o terceiro da América Latina, tendo<br>
à sua frente, como mais ?desiguais?, apenas o Haiti e a Bolívia. Trata-se de um humi lhante retrato à nação que detém a oitava economia do mundo, pois demonstra que esse desco munal volume de recursos ser ve a poucos e não socorre o grosso da população, que morre por causas banais e negligência<br>
oficial. Os números apurados rebaixam o Brasil de posição no conceito internacional e expõe a grande ferida nacional. As múl tiplas mudanças sociais a que estivemos expostos no último século, todas justificadas como necessárias para melhorar as condições de vida do cidadão e de sua família, ainda<br>
não produ ziram resultados eficazes. Te mos um país rico, abrigo de grandes corporações públicas e privadas, mas essa grande gera ção econômica não tem sido ca O País da injustiça social paz de acabar com a fome, a falta de educação e a carência de saú de do povo. A chegada de Lula ao poder, oito<br>
anos atrás, criou a esperança de que, com sua origem humilde, o novo gover nante trabalharia para reduzir a pobreza. E deve ter trabalhado! Mas isso não é obra para um homem só e nem para um ou dois períodos de governo. O pro blema, que se acumulou por toda a história, exige medidas estru turais de<br>
alto nível e de execu ção continuada. Não basta ape nas a distribuição de cestas bá sicas ou de bolsas, ou a fixação de cotas para vulneráveis. Isso são ações imediatas, que devem atender apenas um momento e logo serem substituídas por pro vidências mais definitivas. Pro mover a melhora da qualidade<br>
de vida e da renda da população não é, necessariamente, sinôni mo de tirar do rico e dar para o pobre. Há que se fortalecer a economia para que, com bons índices de produtividade, dela se possa tirar salário, educação e seguridade social à população. A primeira parte da lição já foi cumprida. A<br>
economia mostra se vigorosa. A união de esfor ços do empresariado competen te com o governo interessado em dar-lhe condições de trabalho, mantém a produção nacional em alta, até mesmo nos momentos de tormenta internacional, como a grande crise 2008-2009. Mas é preciso agora se debruçar so bre a<br>
distribuição de renda, a saúde e a educação. No dia em que conseguirmos, além de ter a oitava economia do mundo, fazê-la chegar realmente ao povo, poderemos nos orgulhar de, finalmente, termos constru ído uma grande e próspera na ção. Antes disso só nos cabe la mentar o estado de injustiça so cial<br>
em que somos, todos, obri gados a viver... *Tenente Este tema, aliás, já foi objeto de reflexão na Antigüidade, abordado na tragédia Antígona e Creonte, de Sófocles. Mas é preciso agora se debruçar sobre a distribuição de renda, a saúde e a educação.
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