02 AQUIDAUANA 22 A 28 De jUNho De 2012 Cultura Frederico Corrêa da Costa* E-mail: cfccosta@terra.com.br (CRÔNICAS PITORESCAS DA HISTÓRIA DO BRASIL CXXIV) Referência Bibliográfica COSTA, Carlos Frederico Corrêa da (pela transcrição e adaptação) CAM POS, Geir. Estórias Pitorescas da História<br>
do Brasil .Petrópolis,RJ: Vozes, 1987. p. 16/18. *Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social pela USP-SP, historiador de empre sas, famílias e biografias. Ex Professor da Graduação, Pós-Graduação e Pesquisador do Departamento de História, campus de Aquidauana/UFMS TIRADENTES II<br>
Lula no Ratinho * Gabriel Novis Neves Reitor fundador da Universidade Federal de Mato Grosso, é médi co em Cuiabá Logo quando iniciei o meu curso de medicina notei que saúde de qualidade tinha um custo inaces sível ao pobre, maioria da população brasi leira. O investimento na produção de conhe<br>
cimentos em saúde é alto, não contando com a retaguarda física de equipamentos e espa ços hospitalares, unidades de saúde e poli clínicas. Nem citarei recursos humanos qualifi cados, que consomem a maior parte da folha de pagamento. Mesmo países ricos não su portam uma medicina de boa qualidade<br>
para todos. Sem erro posso afirmar que nesses últimos cinquenta anos a medicina evoluiu muito, especialmente nos seus exames com plementares, possibilitando o diagnóstico de doenças que sempre existiram, mas o seu diagnóstico era impossível de realizar. Um aparelho de imagem, que até há pouco<br>
tempo tinha um prazo de validade de cinco anos, hoje é de um ano. Nenhum país do mundo tem condições econômicas de acompanhar esse ritmo das conquistas tecnológicas no diagnóstico das doenças. Isso sem contar que todo esse moder níssimo arsenal estará totalmente obsoleto quando pudermos<br>
utilizar os exames da gota do sangue para diagnóstico: o DNA. Em termos de pesquisa uma enormida de de doenças poderá ser detectada preco cemente e, em alguns casos, tratadas com sucesso ou minimizados a sua malignidade. Enquanto isso, vamos contentando-nos com os mamógrafos, tomógrafos,<br>
ressonân cias e o controvertido PET scan, o tubo que detecta células malignas no nosso organis mo. Sempre defendi a tese que a medicina de qualidade é cara. Os políticos, demagogos e oportunistas, nunca aceitaram essa verda de para beneficiar os pobres, e corneteavam esse seu equívoco apoiada<br>
pela mídia chapa branca. O problema, diziam com a frieza dos bárbaros, era de gestão e nunca da falta de recursos. Ainda criminosamente tentaram jogar a população contra os médicos, qualifi cando-os como mafiosos. O governo da boti na instalou até uma delegacia de polícia nas dependências da<br>
Secretaria de Saúde, quan do o correto seria na Secretaria da Fazenda. Os ?estadistas? de tempo determinado pelos seus mandatos, sempre repetiram es sa falácia para a população pobre, jogando a não prioridade da saúde e parcos recursos, nos ombros dos médicos. Assisti ao Programa do Ratinho quan<br>
do ele entrevistou o ex-presidente da Repú blica após a sua alta hospitalar, de um cân cer de laringe tratado no Hospital Particular Sírio-Libanês, em São Paulo. O paciente, que foi contra o imposto do cheque para que, no prazo de dez anos, colo car a saúde pública em condições de cumprir a<br>
Constituição Brasileira disse, na ocasião, que a saúde não precisava de maior soma de dinheiro, e sim, de gestores competentes e menos ladrões. O imposto do cheque, como ficou co nhecido esse recurso idealizado pelo Prof. Adib Jatene para desenvolver o então SUS, foi vitorioso no Congresso<br>
graças ao prestí gio e idoneidade do nosso maior cirurgião de coração. Quando Jatene percebeu que os recur sos do cheque estavam sendo desviados pa ra projetos políticos, pediu as contas e retor nou para o centro cirúrgico em São Paulo. Quis o destino que o inimigo do impos to do cheque assumisse a<br>
Presidência da Re pública. Foi o maior protetor desse imposto não investido em saúde e patrocinou o maior desmonte da saúde pública no Brasil. Deixou a saúde em estado de calamidade pública em todo o Brasil. O ex-presidente lutou, e muito, para pror rogar indefinidamente o tal imposto surrupia<br>
do para outros programas, como a compra de ambulâncias, e que deu rolo. Ninguém foi puni do, apenas os pacientes brasileiros. Lula disse ao Ratinho: - Se esta doença que tive, tivesse aconte cido com uma pessoa pobre, com certeza ela teria morrido. Os hospitais públicos não pos suem os recursos do<br>
hospital em que me tratei. O problema da saúde pública no Brasil não é de gestão, e sim, da falta de recursos. Desliguei a TV e não consegui dormir com aquela confissão tardia para o povo bra sileiro. Gabriel Novis Neves 03-06-2012 Tempos outros ?Seja Marginal , Seja Herói.? ? Hélio Oiticica (<br>
1968 ) Maio findou e com ele, no dia 29, um momento de reminiscência, uma palestra promovida pelo Curso de Geografia da UFMS, reunião essa, liderada pela professora Vitória, tendo como convidada a Doutora Joana Neves, historia dora e uma das fundadoras da faculdade, na época vinculada a UEMT<br>
que, com uma equi pe, capitaneada pela professora Dóris Mendes Trindade, tentaram implantar na região pan taneira um processo educacional impulsiona dor e mantenedor de mudanças estruturais no contexto. Abolido o guarda ? pó, a cátedra nive lando a mesa do profissional com as carteiras dos<br>
alunos, aulas participativas envolvendo dois ou três ?orientadores? em um só momen to, pesquisas nos clássicos e a ?proibição de não participar?... ?orientadores? á disposição a qualquer hora, atividades outras envolvendo a comunidade : Jogos da Primavera, Festejão, Feira de Artesanato,<br>
Concurso de Desenho e Pintura, Festival de Teatro, peças vindas de São Paulo, Rio de Janeiro com artistas de reno mes, Conjuntos Musicais, ... encenações infan tis estimulando as novas gerações ... um grupo que acreditava ser a Educação, um motivador de dias melhores e isso, em plena década de<br>
70, nos chamados? Anos de Chumbo?(1964/1985). Enquanto a oradora palreava, nossas mentes, as cabeças de mais de 50 anos, via javam no tempo, nas recordações, nas lem branças, nos momentos marcantes, cenas in deléveis ... aquele grupo de pessoas estranhas, falantes, homens de cabelos compridos,<br>
barbu dos, de roupas inadequadas, de bolsa pendu radas nos ombros, de tamancos...época do Ci ne Glória e a 2ª sessão aos domingos, do Clube Feminino, do Santa Marta, de algumas ?bouti ques? com artigos internacionais ... as festas, os churrascos, inebriavam esse pessoal, o tereré<br>
gradativamente foi atingindo o hábito desses navegantes do aprendizado, assim, ve lejávamos através das exposições da oradora. Na platéia assistentes de várias idades, algumas cabeças branqueando, outras já na espera de possível ?encadernação?... e, o pen sar /refletir ... quanto mudou nesses<br>
anos, pre sidentes, governadores, prefeitos ... quem não assistiu/ouviu a Dra Joana falar, perdeu um bom instante de reflexão, de nostalgia. O que mudou ? Mudou o contexto, muda mos nós, mudou o mundo e o nosso pensar, nos so viver ... novas pessoas ocupam espaços que já foram nossos, novos<br>
momentos, novos fatos, e vamos assimilando, o presente torna-se pas sado cada vez mais rápido mas, a saudades, essa continua vagarosa, doída, imensurável, marcante...histórica! Ex alunos com filhos/netos ... romances desfeitos em confeitos do cotidiano, os concei tos impostos pelos novos dias<br>
... a mutação esta vigente em nossa sociedade, dita civilizada... a moral mudando de tonalidade, a permissivida de idem, a corrupção tornando-se norma, o on tem condenável tornou-se num hoje de aceites e o ?fio de bigode?, nada mais que um detalhe de barbearia. A internet configura-se como um<br>
sistema de vida, o celular o seu ?registro? e, ninguém consegue mais subsistir sem os mesmos, ...mú sicas, filmes, textos são ?chupados? sem despe sas diretas e todos acham normal/ normal é superfaturamento, apropriação indébita, com pra/venda de votos,manipulação de concursos públicos ... a<br>
Lei de Gerson ?que manda tirar vantagem de tudo?, já não é mais falta de ética, de moral, mas sim, uma nova ética, uma nova moral que faz-se presente. Dormir com o celular é pratica vigente...e o que falar dos trabalhos escolares, na base do ?mash-up?, um cocktail de conteúdos ricos em<br>
fornecer fotos,artigos...elaborados por ter ceiros, de nome ou não ... estilos diferentes não são conotados pelos montadores de colagens ... a assinatura é do arranjador, essa geração é que substituirá os atuais dirigentes ... a sen sibilidade era verde e Ferdinando, mastigou-a. E... a<br>
professora continuava á vontade, pa recia a mesma de décadas atrás ... memória pro funda, comunicativa, muito á vontade, trazendo momentos plenos de ilusões e verdades sentidas/ vivenciadas... uma verdadeira garimpeira de xi bius...? mestra?, obrigado em nome dos presentes e pelos instantes de<br>
reflexão que, mais uma vez nos proporcionou ... você continua esperando Go dot, no grupo de Brancalleone ... parabéns ! ? Você não gosta de mim, mas sua filha gosta.? ? Chico Buarque de Holanda. a.begossi 02/06/12 Um alto executivo - al tamente estressado! - foi ao psiquiatra. O psiquiatra, ex<br>
periente, logo diagnosticou: -?O Senhor precisa se afas tar por duas semanas da sua atividade profissional. O conveniente é que vá para o interior, se isole do dia-a dia e busque algumas ativi dades que o relaxem?. Então o nosso executivo seguiu as orientações. Munido só de li vros e CDs (sem<br>
laptop, sem celular, nada de tv, nada de rádio, nada internet, nada de jornais...) partiu para a fazen da de um amigo. Diz-se que o estresse é o mal do século! Um amigo meu acha que é sua sogra! Aconse lhei se afastar dos dois! Sogra e estresse é uma mistura mor tal! Aprender a relaxar é fun<br>
damental para aprender como lidar com o estresse. Mesmo porque o mundo não vai mu dar... nem a sogra! Então será nossa atitude perante o mun do que vai mudar - e muito! - a nossa condição de estressado. Da sogra também! Passados os dois pri meiros dias, o nosso execu tivo já havia lido cinco<br>
livros e ouvido todos os CDs. Mas continuava inquieto. Pensou então que alguma atividade física seria um bom antídoto para a ansiedade que ainda o dominava. Foi aí que resol veu chamar o administrador da fazenda, e pedir-lhe para fazer algo. Sem pestanejar, e como seria uma ?prestação de <br>
serviço voluntário?, o admi nistrador pensou logo naque la montanha de esterco que havia nos fundos da fazenda. Disse ao nosso execu tivo: -?O Senhor pode ir es palhando aquele esterco em toda aquela área coberta de pasto?. O administrador pensou consigo: 'Ele deverá gastar uma semana com<br>
essa tarefa'. Engano! No dia se guinte o nosso executivo já ti nha distribuído o esterco por toda a área. O administrador então lhe deu a seguinte tare fa: abater 500 galinhas, cor tando suas cabeças com uma faca. Em menos de três horas já estavam todas prontas... sem cabeças, sem pescoço, <br>
sem pés, sem penas, sem na da; peladinhas e limpinhas! E pediu logo uma nova tarefa. Mas demonstrava sintomas de melhora. O administrador: -?Es tamos iniciando a colheita de laranjas. O senhor vai ao laranjal levando três cestos para distribuir as laranjas por tamanho: pe quenas, médias e<br>
grandes?. No fim daquele primeiro dia o nosso executivo não retornou. Preocupado, o administrador deparou-se com nosso execu tivo sentado numa pedra, com uma laranja na mão, os cestos totalmente vazios, falando so zinho: -?Esta é grande. Não, é média. Ou será pequena? Esta é pequena. Não, é<br>
gran de. Ou será média? Esta é média. Não, é pequena. Ou será grande??. Conclusões: laranjas causam estresse... e antes de procurar um psiquia tra, tente espalhar 1Kg de es terco por dia. Se não der resul tado, só então passe para as ca beças. Comece pelas galinhas... Remédio para Estresse Na<br>
semana passada tivemos a opor-tunidade de ver que o menino Joa-quim ficou órfão de mãe e pai com 9 anos de idade, juntamente com mais dois ir mãos e três irmãs, e que o Capitão Bernardo Rodrigues Dantas, padrinho de um dos seus irmãos, ficou com a incumbência de distribuir os órfãos para serem<br>
criados por famílias ami gas, e que o menino Joaquim foi viver com o seu padrinho Sebastião Ferreira Leite, que era cirurgião, com especialidade em arrancar dentes e substituí-los por outros artificiais, e que esse padrinho lhe foi de grande valia, en sinando-lhe uma profissão. Assim, ficou<br>
Joaquim em casa do padrinho, que por sua vez se espantava com a inteligência do afilhado, pois não aprendia apenas a metade, tomava ciência de tudo e ain da pedia explicações que o cirurgião às vezes não sabia dar. Com o correr dos tempos, Joaquim foi perdendo o encabulamento, e quando não es<br>
tava ajudando o padrinho no consultório, esta va conversando com os clientes, atento a tudo quanto lhe contavam, e à noite comentava com o padrinho: - Sabe, padrinho, eu queria ser garimpei ro, pegar as mulas e ir para o garimpo garim par ouro e diamantes. - Vai perder o seu tempo Joaquim, você <br>
pode ganhar o ouro que quiser, e também dia mantes, só com o ofício que estou lhe ensinan do. Você já tem visto vir aqui gente com dor de dentes, pronta a dar tudo para se ver aliviada, não é verdade? - Pois então meu rapaz, você arranja as mulas e vai para o garimpo, mas não vai ga rimpar, vai<br>
só cobrar o tratamento dos dentes dos garimpeiros alucinados de dor, e isso tam bém se paga em ouro e em diamantes. -Acha que eu vou tirar dinheiro dessa gente? - Ora, Portugal tira muito mais, e não dá nada em troca. Na cara de espanto do afilhado o ci rurgião quase podia soletrar os nomes dos<br>
impostos e taxas que a Coroa portuguesa extorquia aos brasileiros: quintos, dízimos, capitação, alfinetes da rainha, derramas... - E a gente não reage? ? indagou de chofre Joaquim, pondo-se de pé. Dessa vez o espanto ficou estampado foi na fisionomia do padrinho. O menino Joaquim desta<br>
narrativa veio a ser mais tarde o Alferes (equivalente a Tenente, hoje) José Joaquim da Silva Xavier. Sua habilidade de tirar e pôr dentes, valeu-lhe o apelido consagrado na História do Brasil: Tiradentes! Sua indignação de menino ante a situ ação dos brasileiros explorados em sua terra e em<br>
seu labor pelo colonizador português, só fez aumentar à medida que ele seguiu o seu destino, primeiro como mascate, depois como tropeiro e garimpeiro e afinal como oficial de cavalaria em Vila Rica. José Joaquim da Silva Xavier, o Tira dentes, pagou com a própria vida o preço de suas<br>
convicções republicanas e libertárias, condenado à morte na forca em 21 de abril de 1792, e hoje é venerado como Patrono da Nacio nalidade Brasileira.
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