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?? revista Vidro Impresso Fabrice Barriac Características dos Selantes Todo profissional ligado à indústria do vidro já precisou usar selantes, seja para vedação, seja para colagem. Porém, alguém já se questionou sobre estar optando pelo produto mais adequado para determinada aplicação? Quando<br> se fala de selantes, imaginam-se produtos que servem para vedação, e de fato todos eles têm esta função. No entanto, para ser considerado adequado para essa finalidade, o produto preci sa apresentar alguns pré-requisitos bem definidos. Por definição, um selante é uma composição elastomérica que<br> reticula à temperatura ambiente e é usada para calafe tação, colagem ou isolação de dois substratos. Por ser um elastômero, isto é, uma borracha, tem como principal ca racterística sua elasticidade. ?. ELASTICIDADE A elasticidade é a principal vantagem de um selante, e se de fine como sua<br> capacidade de movimentação, ou seja, de re sistir a movimentos cíclicos de alongamento e compressão nos trabalhos da junta, sem descolar dos suportes. O selante precisa, portanto, acompanhar todas as variações dimensionais que uma junta sofre, em decorrência das dilata ções e compressões causadas<br> pelas mudanças de temperatu ra. Necessita também acompanhar os movimentos estruturais dos substratos em que é aplicado, devido à pressão dos ven tos, vibrações etc. Alguns selantes têm características bem específicas, como, por exemplo, pouca elasticidade. Estes são considerados ade sivos mais<br> adequados para fixar, de forma firme, um substra to no outro. Em outros casos, ao contrario, o selante pode ser muito elástico e esticar até mais de ???% sem se despren der dos materiais em que foi aplicado. Tudo deve ser definido de acordo com o tipo de trabalho que dele se vai exigir. Para<br> fabricar um aquário, por exemplo, o selante deve ser muito rígido e pouco elástico, de forma a unir firmemente um vidro ao outro. Se a finalidade for a junta de dilatação de uma ponte, onde a vibração e as dilatações térmicas são sig nificativas, o selante deverá ser muito elástico e esticar com <br> facilidade, para não forçar as áreas de adesão. Quanto mais elástico, mais fácil será alongá-lo e melhor será a performan ce de sua aderência. Esta força necessária para alongar o se lante com corpos de prova definidos por normas é chamada de módulo de elasticidade. ?. ADERÊNCIA Depois de definir<br> sua capacidade de movimento, outra ca racterística importante do selante é sua aderência ao su porte. Não basta ser elástico, ele tem que aderir correta mente aos substratos com os quais está em contato. Uma boa adesão confere ao selante a capacidade de unir os ma teriais, tornando-os compatíveis<br> um com o outro, o que garante a vedação ou fixação. Esta adesão é de suma importância: tanto no caso de cola gem quanto para uma simples vedação, o selante une os dois substratos e elimina a possibilidade de infiltrações. A correta aderência aos materiais, obviamente, vai depender do tipo de <br> selante usado e de sua compatibilidade com os materiais com os quais vai reagir quimicamente. São muito comuns os casos de descolagem, simplesmente por que não houve compatibilidade entre o selante e o substrato. Nem todo selante de silicone, por exemplo, vai aderir correta mente a plásticos como<br> policarbonato ou acrílico. Alguns devem ser formulados para este tipo de aplicação. Alguns selantes, co mo poliuretano, têm excelente comportamento no concreto, mas podem falhar em contato outros materiais. Os selantes são formulados para aderir a vários tipos de ma teriais, porém nenhum deles<br> consegue ter boa fixação em to dos os substratos, em razão da influência de certos insumos em sua formulação. ?. COMPATIBILIDADE Além da boa aderência aos suportes, é necessário que o se lante também seja compatível com eles. Isto é, os compostos químicos do produto não podem agredir atacar a área<br> de contato do substrato. Isto inibe a performance da adesão e mais cedo ou tarde o selante se desprenderá. É de conhecimento geral, por exemplo, que não se deve apli car um selante de silicone acético em concreto. Isso porque, na hora da reticulação, o gás que se desprende do silicone é o ácido<br> acético. Este ácido ataca o concreto, que é alcalino, formando um sal na área de contato entre os dois produtos que prejudica muito a força da adesão. ?. DURABILIDADE A qualidade de um selante se mede pela sua resistência aos agentes climáticos. Certas composições duram mais do que outras,<br> sobretudo em função das matérias primas básicas utilizadas. A massa de vidraceiro, por exemplo, em poucos meses perde sua maciez e endurece, perdendo totalmente sua flexibilidade. Por essa razão, deixa de acompanhar as di latações às quais são submetidos os substratos, trincando e abrindo espaço<br> para infiltrações. Alguns selantes são mais sensíveis que outros à ação dos raios ultravioleta, degradando-se, craquelando e tornando-se rígidos com o passar dos anos. É por esse motivo que algu mas aplicações recomendam o uso exclusivo de certos tipos de selantes. É o caso da colagem de vidro,<br> a chamada técni ca de colagem com silicone estrutural. Este tipo de selante é o único recomendado, devido a seu grande poder de adesão e sua inércia aos agentes atmosféricos, com resistência aos raios UV, calor, maresia e ozônio. Neste caso, a química do silício leva nítida vantagem sobre a<br> química do carbono. Fabrice Barriac é consultor na área de aplicação de selantes para construtoras, fabricantes de esquadrias e vidraçarias. Formado em administração de empresas pela ESCAE, em Montpellier, França, tem experiência de mais de ?? anos no ramo de aplicação de selante, como<br> responsável por esta linha de produtos em empresas de renome internacional.

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